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A
Mesa Andina
Tatiana
Menkaiká
A "mesa" andina contém
ao mesmo tempo o centro de uma cosmovisão ancestral e atual.
Os
objetos são importantes no altar pessoal, são componentes
de um centro de poder onde trabalhamos e plasmamos a energia mágica
e mística. Os objetos rituais são como que portais
que "enganam", driblam, adormecem os filtros conscientes
da mente para que se abra o coração e o espírito.
Também são uma representação da nossa
cosmovisão pessoal, e afinidade com determinado caminho com
o qual trabalhamos. Conforme as tradições Q'eros,
Zona de Cuzco, o Paqo, ou sacerdote andino, utiliza o que é
chamado de "mesa". É um pequeno pano tecido em
cores, um têxtil de lã de lhama ou alpaca, aonde o
xamã dispõe seus objetos de poder (pedras de cura,
penas, folhas de coca, conchas, punhais, pedras de locais sagrados
e até crucifixos, se trabalhar pela linha do sincretismo
cristão). Místico e mágico se fundem na busca
do ser humano em equilíbrio.
A
mesa andina é "dividida" em três partes:
o lado mágico, o lado místico e o centro. O lado mágico
é o da prática mágica, dos feitiços,
é o lado esquerdo, o feminino e está ligado ao mundo
subterrâneo que é chamado Ukupacha, cujo animal de
poder é a Serpente (amaru). O lado direito é o lado
místico, o lado da devoção, de conexão
com os deuses e é aonde se desenvolve o trabalho interior,
de crescimento espiritual e de devoção. A este lado
está associado o Condor(kuntur), ou também o Colibri(q'enti),
que são os animais mensageiros dos deuses e que nos unem
ao Hanan Pacha, o mundo celeste. Ao centro está o Kaypacha,
ou mundo terreno, o mundo das energias em movimento, aonde o lado
místico e mágico se fundem em perfeito equilíbrio.
O animal de poder do Kaypacha é o Puma, que nos ensina a
astúcia para atuarmos no mundo das energias em movimento.
Outros animais reverenciados são a Lhama, a Alpaca e o Golfinho.
Algumas mesas e oferendas variam, como as do norte, as dos kallawayas...
Oferendas
à Mãe Terra e espíritos das montanhas
É
na mesa que são armados os "pagos", oferendas que
são compostas geralmente por caramelos, incenso, tabaco,
flores, vinho e cerveja. A principal oferenda ritual chama-se "k'intu"
que são três folhas de coca. O conteúdo do pago
é fechado em papéis coloridos e varia conforme a energia
que queremos trabalhar dedicando-os à Pachamama ou aos Apus
(que em quéchua significa "senhores") que são
os espíritos das grandes montanhas muito respeitados e invocados
nos rituais. Entre os principais cerros estão: Salcantay,
Ausangate, Putukusi, Machu Picchu, Huayna Picchu, entre outros.
As oferendas são "passadas" nas brasas de uma fogueira
ou então enterradas. O ato de oferecer é extremamente
importante, pois é um ato de reciprocidade (ayni) que é
a síntese da cosmovisão andina, do dar e do receber,
do nutrir-se e agradecer, uma troca constante com esses espíritos
que em um plano sutil atuam conosco para que possamos mover e atuar
nos três mundos em sintonia e equilíbrio.
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