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Cosmovisão e Espiritualidade Andina

Tatiana Menkaiká

Em um período de busca de conexão entre o nosso interior e as energias sagradas da Mãe Terra, geradora e nutridora da vida, os povos andinos mantêm uma tradição muito viva e peculiar, mostrando-nos que é possível estabelecer uma relação direta com as forças naturais e os diversos mundos que nos rodeiam.

Será que os ensinamentos ancestrais vivem na forma de arquétipos que remontamos nos dias atuais, algo metafórico, mítico, do passado, distante de nossa realidade? Em um período de busca de conexão entre o nosso interior e as energias sagradas da Mãe Terra, geradora e nutridora da vida, os povos andinos mantêm uma tradição muito viva e peculiar, mostrando-nos que é possível estabelecer uma relação direta com as forças naturais e os diversos mundos que nos rodeiam.

Cosmovisão Inca

Na parte religiosa, os incas incorporaram deuses e práticas de vários povos conquistados. Seus rituais e crenças eram, e ainda são, derivados do ciclo agrícola. Ao deus solar Inti era dedicada a maioria das construções, como o Qoricancha em Cuzco. Algumas outras divindades importantes eram Pachamama (Mãe Terra), Mama Quilla (a Lua), Wiraqocha (deus criador).

Outras dimensões e energias em movimento

Os incas compreendiam o mundo de uma forma tripartida, ou seja, existiam três dimensões: Hanan Pacha (céu), Kaypacha (terra) e Ukupacha (subsolo). Na cosmovisão andina as energias masculinas e femininas eram essenciais no equilíbrio do universo trazendo a fertilidade e a criação. Em suas antigas construções, como em Qenqo, ainda encontram-se símbolos em pedra representando o falo e o órgão feminino. A vida após a morte também era crença inca e construíam grandes monumentos funerários e tumbas. Múmias foram encontradas em posição fetal, tendo sido cobertas por finos tecidos coloridos, cordas, ou dentro de grandes vasos de cerâmica nas profundezas da terra e das montanhas. Os sacrifícios animais e humanos eram práticas comuns aos incas. Mas necessitamos compreender isso dentro de sua época e contexto, pois para aqueles que eram sacrificados em nome do divino, isto exigia um período de preparação e significava uma honra. Ainda hoje existem resquícios dessas práticas como o Inti Rayimi, Festival do Sol.

Compartilhando espaço com protetores e energias sutis

Os andinos têm o protetor de seus lares, chamado de "kunturmamani", que é o espírito responsável por cuidar da família e das casas, e também as "madres tierras", que são espíritos femininos que cuidam dos lugares públicos, como praças e ruas. A eles também se rende culto e oferendas.

Ver com os olhos da alma

Há quem pense que toda essa mística está distante de nós, mas cada um de nós tem em sua casa seu kunturmamani, na sua rua a sua mamacita tierra, e seus "papitos", como carinhosamente chamam os andinos aos grandes cerros locais. Eles estão muito próximos, muito vivos, e não necessitamos viajar tão longe para fazermos nossa conexão com essa cadeia viva de energias que pode estar muito próxima de nós. Não importando a zona geográfica em que possamos estar localizados, somos todos filhos da Grande Mãe Terra, Pachamama.

Para finalizar, lembremos que segundo nossos irmãos andinos Q'eros, as portas entre os mundos estão novamente se abrindo e este é um momento propício à exploração de todas nossas capacidades humanas. Recobrar a nossa natureza luminosa é hoje uma possibilidade para todos aqueles que se atrevem a dar um salto em suas vidas. Talvez não recebamos exatamente o que desejamos, mas certamente receberemos o que realmente precisamos.

Os incas nos deixam três fundamentais ensinamentos, traduzidos nas palavras em quéchua: Munay: amor. Yankay: trabalho. Yachay: sabedoria. Que aprendamos com os rios, com as montanhas, com as árvores, com os animais. Que aprendamos a ver com os olhos da alma, nos comprometendo com o essencial. Que nossas vidas sejam repletas de abundância, reciprocidade, amor, trabalho e sabedoria.

 

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