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Comprometimento
com o Sagrado e o Conhecimento
Tatiana
Menkaiká
Será
o xamanismo uma moda?
Entrar
na etimologia da palavra xamanismo e sua origem, e essa generalização
que se faz desta palavra a todas tradições ancestrais
nativas daria um longo debate, embora fosse interessante para quebrarmos
um pouco os rótulos. "Medicina" é um termo
bastante adequando, porque os caminhos buscam a cura integral do
ser humano.
Se
é uma moda ou movimento sério, devemos lembrar que
estamos lidando com humanos, somos humanos e como tal, pode ser
sério, sincero, ou não. Também devemos entender
que mesmo sendo "modismo", é através desse
modismo que talvez muitas pessoas sérias ou sinceras venham
a descobrir e a trilhar esse caminho de volta pra casa. O xamanismo
que vemos por aí pode muitas vezes disfarçar-se nas
vestes do modismo, nas suas vertentes "nova era", na sua
versão capitalista, mas a medicina tradicional é um
caminho que exige comprometimento, comprometimento consigo mesmo,
com o sagrado, e com toda uma herança de nossos antepassados
que ainda sobrevive e pode ser acessada na busca da cura.
Vivemos
em uma época onde a informação se torna muito
acessível às pessoas. Hoje se tem acesso a coisas
incríveis, a livros, textos, pessoas... E por trás
disso, há um mundo que sufoca as potencialidades humanas,
tentando colocá-las dentro de regras prestabelecidas e massificadoras.
Uma grande parte tem se dado conta de que a vida transcende a isso
que é tão vulgar, tão limitado. A própria
informação disponível tem gerado uma inquietação
geral, seja bitolando as pessoas cada vez mais, ou abrindo-lhes
as portas de coisas antes desconhecidas. Tirando esse lado social
e tecnológico, há a tentativa de uma busca de maior
integração, maior aceitação e, em muitos
casos, existe a busca do antídoto contra o veneno que a própria
sociedade criou. Será?
A
gama espiritual que se abriu diante dessa situação
é muito grande e, em alguns casos, a busca espiritual para
certas criaturas chega a ser desesperadora, tamanha é a vontade
de interagir com o mundo de outra forma. Mas nesses caminhos, muitos
enganam a si próprios, outros trilham uma parte e se dão
por satisfeitos, mas poucos realmente chegam a um ponto bem mais
coerente e desenvolvido de sua busca espiritual. O que vemos é
que, na maioria das vezes, os interesses próprios suplantam
o respeito pelo Conhecimento. O dinheiro toma conta das experiências
espirituais, o Conhecimento vira moeda de troca, a importância
pessoal e o status mostram que a armadilha dos egos permanece ainda
ali na espreita, e isso mostra que não há processo
profundo de cura, nem de conhecimento de si mesmo e muito menos
trabalho interior. Somos de alguma forma apenas humildes mensageiros
do Conhecimento, e devemos ser capazes de nos darmos conta do compromisso
que assumimos com toda uma egrégora ancestral. Neste ponto
não deve haver mácula por interesses pessoais quando
tratamos de cerimônias ancestrais. Trabalhar e ganhar sim,
porque ninguém é máquina, precisa viver, mas
comprometimento com o Sagrado acima de qualquer coisa.
Estamos
no auge da troca entre as pessoas, o que as proporciona uma maior
integração com o que não era conhecido, ou
acessível a tantos. Vejo uma vontade impulsionando essa integração,
inclusive nativos se abrindo mais para passarem seus conhecimentos
com a finalidade que de alguma forma eles sobrevivam e, conseqüentemente,
que sua herança cultural e espiritual não seja apagada
da face da Terra. As pessoas, em geral, estão ficando muito
abertas para conhecerem mais suas origens.
De
alguma maneira a máscara das diferenças culturais
está caindo, as pessoas estão aventurando-se por outros
campos e abrindo-se para novas experiências. Pode ser que
a mola propulsora de tudo isso não seja essa sociedade tecnológica,
mas sim a grande solidão em que se encontram os seres humanos,
desprovidos de suas potencialidades e necessitando buscar suas origens.
Nessa sociedade tão massificadora talvez a busca espiritual
seja uma forma de caracterizar a busca de suas origens, de sua história
pessoal e, porque não, a cura.
Talvez
seja até uma idéia romântica a minha, mas vejo
uma boa parte deixando que caiam as barreiras culturais, como a
profecia inca, ou a roda do arco-íris dos nativos americanos,
aonde chegará um momento em que haverá uma tomada
de consciência geral... será que estamos nesse caminho?
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